O segundo melhor disco do ano (so far)...

...porque o primeiro é o Merriweather Post Pavillion e ninguém tasca (post específico em breve, com o último lançamento dos malucos do Animal Collective).


Enquanto isso, esse disco cuja capinha vocês vêem acima vem me deixando mais e mais bolado a cada audição. Trata-se de Bitte Orca, dos Dirty Projectors, grupo nova-iorquino encabeçado pelo "versátil" Dave Longstreth. Esse disco vazou e já vem dominando diversos blogs de música indie mundo afora. So que tá mais difícil de baixar, então eu coloquei o disco na íntegra
aqui. Agradeçam depois (rs)!

A única crítica "oficial" do disco até agora é esse
review da Pitchfork para o primeiro single: "Stillness is the move". De fato, é a primeira música dos Dirty Projectors que soa como um single. Recomendo a audição dela (em streaming no review da Pitchfork) pra quem não conhece a banda.

2009 parece ter chegado para selar o encontro de bandas que vinham se destacando na experimentação melódica / instrumental com sonoridades e melodias palatáveis - porque não dizer, enfim, o encontro dessas bandas com o
pop- . O que vem sendo amplamente afirmado sobre Animal Collective, cabe também a Dirty Projectors, Grizzly bear, e por aí vai.

Mesmo assim, Bitte Orca é, como todo grande disco, um daqueles que vai sendo digerido lentamente. Ao estranhamento das primeiras audições, segue uma afeição absurda por cada melodia e falseto da voz errante e estranha de Dave e pelas as vozes, por vezes excessivamente plásticas e bem trabalhadas, de Angel Deradoorian e Amber Coffman (personagens que se alternam nos vocais ao longo das 9 faixas com o já citado Dave Longstreth) . Não pude deixar de me incomodar, no primeiro contato com as canções, com alguns maneirismos
pop do vocal de Angel Deradoorian, especificamente nesta primeira música de trabalho do CD. Esta sensação, porém, foi embora quando comecei a me encantar pelo "todo". Frases de guitarra dissonantes, contratempos, falsetos esquisitos. Vocais estranhos com melodias perfeitas e vocais perfeitos com melodias estranhas. Um equilíbrio raro no pop; a sensação de conforto e familiaridade através de esquisitices aparentes.

Um disco pra se ouvir no repeat...